quinta-feira, 3 de novembro de 2011

47 Leis do Arqueólogo de Contrato


Querido leitor,

Inspirado na obra de David DeAngelo, resolvi adaptar alguns de seus melhores pensamentos para as atividade de Arqueologia no Brasil. Já venho pensando nisso a algum tempo. Tenho observado que muitos descontroles, falhas e mal entendidos tem acontecido por causa da desatenção a estas mesmas regras básicas. A ideia não é criar um código de conduta ou mesmo algo estático, cristalizado. Mas comentar o que de fato tem sido um desafio na carreira dos colegas, inclusive na minha; por simples falta de atenção.

1. Aceite a realidade como ela é. Muitos sucumbem a esta primeira lei pelo simples fato de tentarem mudar uma estrutura criada antecipadamente por uma equipe tão qualificada quanto ele próprio. Só aceitando a realidade como de fato ela é, é que estaremos aptos a mudar algo a longo prazo.

Foto: Aegina Treasure: An Archaeological Mystery.

The Aegina treasure is a rich collection of jewelry and a single golden cup, and it has been part of the British Museum's collection since 1892. Although believed to have been found on the island of Aigina, it seems largely to be of Minoan Cretan workmanship, perhaps made between about 1850-1550 B.C. The treasure may have belonged to members of a Minoan family or families living on the island, and may have been buried with them.

The workmanship of the treasure shows a high degree of skill and sophistication, perhaps pointing to an origin for some of the jewelry on Crete itself, though it could have been produced by immigrant Cretan craftsmen on Aigina. Most of the pieces are of sheet gold, beaten out thinly and then shaped by either pressing into a mould or worked over a former (a shape in rlief). Some also use gold wire. Most of the semi-precious stones used occur in the Aegean area, but amethyst probably came from Egypt, and lapis lazuli via a long trade route from Afghanistan.

Although Minoan stylistic elements predominate, foreign influences can be seen: for example, the nature god of the pendant, although Minoan in dress, stands among Egyptian lotus-flowers. It is one of the most important groups of jewellery to have survived from the Greek Bronze Age. Its history, both ancient and modern, is still rather unclear. When it came to The British Museum in the late nineteenth century it was reported to have been found on the island of Aigina. Its identification was a puzzle, and its age greatly underestimated.

Sources:

> ”The Aegina Treasure” by John Bedell, an archaeologist and historian, Maryland, USA.
http://benedante.blogspot.se/2015/10/the-aigina-treasure.html

> ”The Aegina Treasure: An Archaeological Mystery” by Reynold A. Higgins, (1916-1993). Published by British Museum in London, U.K. in 1979.
https://books.google.se/books/about/The_Aegina_Treasure.html?id=u0hoAAAAMAAJ&redir_esc=y

http://www.worldcat.org/title/aegina-treasure-an-archaeological-mystery/oclc/6426005

> ”The Aigina Treasure” by J. Lesley Fitton
https://www.amazon.co.uk/Aigina-Treasure-J-Lesley-Fitton/dp/0714122629

Photo: The ancient Aphaea Temple in Aegina island, Saronic, Greece. The extant temple of c. 500 B.C. was built over the remains of an earlier temple of c. 570 B.C., which was destroyed by fire c. 510 B.C.
APHAEA was the virgin goddess of hunting, fishing, fowling-nets, and mother-goddess of AEGINA.

Originally the Cretan goddess who jumped into the sea to escape the attentions of Minos. Caught in the nets of local fishermen, she became known as Dictynna. Later she fled to Aegina where she was revered at Aphaea. She was sometimes identified with Artemis and later with Athena. In some references, identified as Aphaea, Aphaia, Aphaia, Britomartis, Aphea, Aphea, Dictynna, Dictynna, Artemis, Diktunna, Diktynna or Dictyanna.

"In Aigina (Aegina), as you go towards the mountain of Zeus . . . you reach a sanctuary of Aphaia (Aphaea), in whose honour Pindar composed an ode for the Aiginetans . . . She was made a goddess by Artemis, and she is worshipped, not only by the Cretans but also by the Aiginetans, who say that Britomartis shows herself in their island. Her surname among the Aiginetans is Aphaia; in Krete it is Diktynna."

– ” Description of Greece”- Book II by Pausanias, (c. 110 - 180 A.D.), who lived in the times of Roman Emperors Hadrian (16-138 A.D.), Antoninus Pius (86-161 A.D.), and Marcus Aurelius (121-180 A.D.)

2. Se responsabilize. Esta aí é a melhor receita para evitar esporro. Assuma responsabilidade, corra atrás e tome iniciativa. Tenha um estilo de agir que seja interessante para você e para os colegas. Esse passo é importante para reduzir tensões na equipe e aumentar a fluidez dos trabalhos.

3. Trabalhe (mude) você mesmo e não o projeto. Leia mais, se informe mais, esteja e se mantenha interessado. Detalhe: faça isso por Arqueologia! Esqueça as gorduras periféricas tipo patrimônio isso e patrimônio aquilo. Você precisa estar bem informado sobre ARQUEOLOGIA. Precisa estar na frente, conhecer os últimos conceitos, as teorias mais recente e melhor utilizadas. Estabeleça um hábito de leitura. Uma hora por dia é o suficiente. Pesquise na internet sobre as novas descobertas da Arqueologia, não só no Brasil, mas no mundo.

4. Acabe com seu lado covarde. Encontre o covarde que vive dentro de você e o chute para fora. Isso mesmo! Não permite que medos bobos o impeçam de viajar, pesquisar e conhecer o mundo. Seja ousado, aventure-se. Outro medo bobo é o da publicação. Supere isso. Publique tudo o que puder, onde puder e como puder. Exponha o seu conhecimento. De preferência o conhecimento Arqueológico. Eu chamo isso de archaeological broadcasting comum na Europa, na Africa e nos EUA. Mas completamente desconhecido no Brasil.

5. Construa uma auto-imagem capaz e poderosa que você ame. Tente identificar aquilo que há de melhor em você, seja no campo, laboratório ou gabinete. Especialize-se em você mesmo. Daí identifique uma auto-imagem bacana, que te traga bem e então faça ela evoluir. Isso está ligado com a aquisição de novas habilidades, novas técnicas de campo. Nunca deixe de evoluir no seu conjunto de habilidades e na sua imagem eficaz de execução das mesmas.

6. Mude o seu centro de referência, modelo de referência para dentro de você. Uma parte dos arqueólogos fica esperando a aprovação de suas ações. Buscar aprovação não é bacana. Existe um grupo de pessoas que tem a sua referência do que é certo ou errado através da avaliação externa de outros profissionais. Já um pequeno grupo de pessoas dominantes tem seu centro de referência interiorizado. Elas que decidem se estão certos ou errados, sem buscar a aprovação de ninguém. Acostume-se a isso, decida você mesmo se está certo ou errado.

7. Pare de transformar eventos externos em significados internos. Não seja emotivo demais, sentimental de mais, típico reclamão. Se o pau quebrou, houve discussão, debate e xingamento... não transforme estes eventos externos em significo interno, caso contrário irá andar por aí sempre magoado; porque essas coisas são mesmo frequentes. Infelizmente.

8. Acabe com os fracassos aprendendo com eles. Uma das coisas mais recorrentes na Arqueologia de contrato são os pepinos, os desastres, as confusões generalizadas e as pressas de entrega dos relatórios. Quando pisar na bola, mesmo que seja sem querer. Pare. Simplesmente pare e preste atenção no que saiu errado. Atenha-se a detalhes. Assim é possível aprender com o erro, colocando o evento desastroso em câmera lenta. Não se lamente, não se desculpe e principalmente não se explique. Apenas aprenda com o erro para não repetir.

9. Compare seu progresso apenas com você mesmo e não com os outros. Suas participações em eventos, suas publicações e suas glórias só interessam a você mesmo. Sempre vai ter alguém com mais louros acadêmicos. Supere isso. Veja o quanto progrediu olhando para o seu passado. Nunca se compare com o progresso dos outros. Na verdade quanto menos pensar nos outros melhor. Se concentre em você. E evolua, sempre.

10. Desenvolva constantemente e com consciência - sempre busque o próximo nível ou paradigma. Um dos grandes desafios dos profissionais é que eles travam. Param no tempo. Não se atualizam e muito menos procuram novas saídas. Para os jovens: arriscar-se mais. Para os mais sêniors: tentar novos métodos. A Arqueologia têm milhões de probabilidades, evolua e descubra quais as que melhor se adaptam a sua nova fase de vida.

11. Veja a si mesmo como "alto nível científico". As empresas no mundo inteiro contratam profissionais que tragam coisas interessantes e úteis. Nenhuma corporação contrata aluno, então se você acha que vai entrar numa empresa para aprender. Muda de vida. Veja a si mesmo como portador de um conhecimento útil, que irá ajudar os seus colegas e a você mesmo. Entenda que o conhecimento é o que há de mais valioso na Arqueologia. E ele só pode ser encontrado num lugar: na sua cabeça. Ah e lembre-se: chefe não é professor.

12.Pare de se desculpar. Uma parte dos arqueólogos se desculpam por coisas simples. Como se estivessem inseguros de si, pedindo desculpas toda hora. Parece que pedem desculpas por serem eles mesmos. Essa regra tem muitas exceções, como toda regra. Mas em geral, no pior dos casos, você não fez nada de errado. Está trabalhando e eventualmente trapalhadas acontecem. Conheço muitas pessoas que ficam esperando as suas desculpas, certamente que isso lhes atribui poder. Evite isso parando de se desculpar.

Foto: Statuette '' The Thinker '- 5.500-6000 years (3500 -4000 BCE) considered masterpieces of the primitive universal art .
 UNESCO included ''The Thinker of Hamangia'' in a short list of 10 artifacts in the world who should never disappear.
    HAMANGIA Culture - is a Neolithic culture in the IV-II millenium BC, which was named after the old village Hamangia in Dobrogea , ROMANIA .

13. Pare de buscar aprovação. Buscar aprovação é um termo psicológico que indica pessoas inseguras. Toda a sua postura corporal está em buscar aprovação dos outros, supostamente superiores. Ombros encolhidos, risadinhas para qualquer coisa, olhar baixo, não fazer muitas ondas. Você não precisa de aprovação de ninguém. Então: ande ereto, queixo na altura do horizonte, segure os ombros atrás.

14. Pare de dar aprovações para consegui-las. Os buscadores de aprovações normalmente dão aprovação para os outros. Concordam com tudo. Estão sempre tentando agradar. Sempre deixando todos confortáveis. Têm um medo terrível da desaprovação dos outros sobre seus atos e comportamento. É inseguro. Então, pare de dar aprovações para consegui-las. Você faz isso quando ri das piadas sem graça dos colegas, quando tenta agradar concordando, quando faz muitos favores, etc.

Próxima semana me concentro na segunda parte desta postagem. São três partes ao todo. Por favor comentem. Caso estejam interessados em conversar sobre este tema é só add no msn: marlonpestana@hotmail.com ou me sigam no twitter: @marlonbp

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